|
|
| {{subiu_orn | }} |
{{subiu_num | }} |
{{subiu_orn | }} |
{{subiu_caps | }}
{{subiu_linha | }}
|
|
A velocidade que devolve semanas ao ciclo
Murphy e colegas, da UCLA, mediram em 2022 que videoaula em 2x manteve a compreensão do ritmo normal; só 2,5x derrubou a nota.
|
Player em 2x ao lado do caderno de estudo
|
| ▼ |
| |
|
Uma em quatro. Das quatro velocidades de reprodução que a equipe de Dillon Murphy testou na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) em 2022, só uma derrubou a nota; as outras três deixaram o aluno com a mesma compreensão e menos tempo sentado.
Quem prepara concurso conhece a conta pelo lado de dentro. Um curso completo de área fiscal ou jurídica acumula centenas de horas gravadas, e cada disciplina chega com dezenas de aulas de uma hora ou mais.
Em 1x, só assistir já consome a maior parte da semana de quem trabalha e estuda à noite, e sobra pouco tempo para a questão, que é onde a prova se decide de verdade.
O botão de velocidade fica no canto do player, a dois toques. Mesmo assim, muita gente assiste tudo em 1x, por medo de perder conteúdo, ou sobe para 2x no susto e passa a aula inteira com a sensação de não ter entendido nada.
As duas reações partem da mesma suposição: velocidade e compreensão andariam amarradas, e cada minuto economizado sairia do aprendizado. A medição da UCLA solta essa amarra até certo ponto, e o ponto importa.
Faça a conta com um ciclo hipotético de 300 horas de videoaula. Em 1,5x, o ciclo cai para 200 horas. Em 2x, cai para 150. São 150 horas devolvidas, perto de quatro semanas de estudo em tempo integral de 40 horas.
Essas horas não servem para descansar mais. Elas servem para a etapa que a videoaula não substitui: resolver questões, revisar e testar a memória sem olhar o material.
O ganho depende de como se acelera. Subir de 1x para 2x sem preparo cansa, e a velocidade que funciona no laboratório precisa de um método de adaptação para funcionar na sua mesa, numa aula de direito tributário às dez da noite.
O método começa pela subida gradual e por um sinal claro de quando frear.
Continue lendo ↓
|
|
|
|
I A Técnica
Suba a velocidade em degraus
|
|
A velocidade certa é a mais alta em que você ainda consegue resumir a aula sem voltar o vídeo.
Acelere em degraus: comece em 1,25x, suba 0,25 a cada três ou quatro aulas e pare em 2x, o teto que a medição da UCLA sustenta. Cada degrau dá tempo ao ouvido para se acostumar com a fala comprimida.
Chame a técnica de escada de velocidade. O degrau só sobe quando você passa num teste simples ao terminar a aula: fechar o vídeo e escrever, em três frases, a explicação que o professor deu.
Se as três frases saem sem esforço, o próximo vídeo começa um degrau acima. Se você precisou voltar a gravação duas vezes para entender um trecho, fique no degrau atual por mais algumas aulas.
Nos players comuns de curso, o áudio acelerado mantém o tom da voz. O professor soa mais rápido, e não mais agudo, e é por esse ajuste que a fala em 2x continua inteligível para quem já se acostumou.
Quando frear
A escada tem freio. Aula de cálculo, de contabilidade ou de raciocínio lógico, com o professor resolvendo conta no quadro, pede 1x ou 1,25x, porque o olho precisa acompanhar cada passo escrito.
Aula de leitura de lei seca (o texto puro da lei, sem doutrina), com o professor comentando artigos, aguenta a velocidade máxima. O texto está no seu material, e a aula acrescenta o comentário.
A mesma lógica vale dentro de uma aula só. Revisão do tópico anterior, recado do curso e abertura motivacional vão em 2x; a explicação nova, com conceito inédito para você, desce um degrau.
|
"Reivindica-te para ti mesmo, e o tempo que até agora te era tirado, ou furtado, ou te escapava, recolhe e guarda."
Sêneca, Cartas a Lucílio, carta 1, cerca de 65 d.C.
|
Acima de 2x fica o degrau proibido. Alguns players oferecem 2,5x e até 3x, e a tentação aparece na reta final (as semanas que antecedem a prova), justamente quando um erro de compreensão custa mais caro.
Falta mostrar de onde vêm o teto e o freio. Uma equipe de psicologia da UCLA mediu a compreensão em cada velocidade, com testes logo depois da aula e uma semana mais tarde.
|
|
|
|
|
II O Dado
Quatro velocidades, uma nota que caiu
|
|
Dillon Murphy, Alan Castel e colegas da Universidade da Califórnia em Los Angeles publicaram em 2022 na revista Applied Cognitive Psychology (psicologia cognitiva aplicada) um estudo com videoaulas assistidas em 1x, 1,5x, 2x e 2,5x. Até 2x, a compreensão ficou no nível da velocidade normal; em 2,5x, a nota caiu.
|
Alan Castel dirige na UCLA um laboratório dedicado a memória e aprendizagem, e Murphy era doutorando da equipe quando o artigo saiu. O foco do grupo é como estudantes decidem o que e como estudar.
As aulas eram gravações curtas sobre temas de faculdade, e os participantes eram estudantes universitários. Depois de assistir, cada um respondia a um teste de compreensão sobre o conteúdo do vídeo.
O desenho comparava grupos que viam a mesma aula em velocidades diferentes. Em alguns experimentos, o teste vinha logo depois do vídeo; em outros, uma semana mais tarde, para medir quanto do conteúdo sobrevivia ao intervalo.
| Estudo | Dillon Murphy, Alan Castel e colegas, 2022 |
| Título original | Learning in double time (aprender em tempo dobrado) |
| Publicação | Applied Cognitive Psychology |
| Velocidades | 1x, 1,5x, 2x e 2,5x |
| Medida | teste de compreensão, logo após a aula e uma semana depois |
| Efeito medido | sem perda até 2x, queda de nota em 2,5x |
Uma leitura provável para a queda passa pela memória de trabalho (o espaço mental curto onde a frase recém-ouvida fica enquanto é entendida). Até 2x, esse espaço dá conta; acima, a frase nova chega enquanto a anterior ainda está sendo processada, e parte do conteúdo escapa.
O estudo trouxe um segundo achado, mais útil para quem tem prova marcada. Assistir à aula duas vezes em 2x, com a segunda passada perto do teste, rendeu desempenho melhor do que uma única passada em 1x, gastando o mesmo tempo.
A conta do relógio explica o ganho. Duas passadas em 2x custam o mesmo que uma passada em 1x, e a segunda funciona como revisão espaçada (voltar ao conteúdo depois de um intervalo, em vez de estudá-lo num bloco só).
A equipe também perguntou aos participantes sobre hábito, e muitos relataram já assistir aulas gravadas em velocidade acelerada. A prática existia antes da medição; o estudo mostrou até onde ela se sustenta.
Vale anotar os limites. As aulas duravam minutos, e não uma hora; os participantes eram universitários americanos; e o conteúdo era introdutório, sem o peso técnico de uma aula de direito administrativo ou de contabilidade pública.
Por essa distância a escada da seção I para em 2x e freia em aula de conta: o teto veio do laboratório, e o freio compensa a diferença entre um vídeo curto e uma aula longa de matéria técnica.
Falta transformar a medição em horas no seu calendário, com uma conta que cabe em cinco minutos diante do edital.
|
| |
|