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3 prazos no meio do curso que renderam nota maior

Ariely e Wertenbroch mediram em 2002, no MIT: prazos próprios espalhados pelo curso renderam trabalhos melhores que tudo no fim.

Calendário de parede com três datas circuladas a caneta sobre uma mesa de estudo.

Uma data por bloco, antes da data da prova

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Um ponto em cada cem da nota final. Era o que cada dia de atraso custava aos alunos de uma turma do MIT, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts, e cada um podia escolher em que dias correr esse risco.

A turma tinha três trabalhos escritos para entregar ao longo do curso. O professor deixou que cada aluno escolhesse, logo na primeira semana, as datas das três entregas. Havia uma condição só: a data marcada valia como prazo firme, com a mesma perda de nota por dia de atraso.

A conta parecia fácil. Quem marcasse as três datas no último dia de aula teria o máximo de folga e nenhum risco a mais, porque podia entregar antes se quisesse. Marcar uma data no meio do curso só abria mais uma chance de perder ponto.

Mesmo assim, a maioria da turma espalhou as datas pelo calendário. Os alunos abriram mão de folga por vontade própria, como quem tranca o pote de doce antes de sentir fome.

Dan Ariely e Klaus Wertenbroch publicaram o resultado em 2002, na revista Psychological Science. Quem espalhou os prazos entregou trabalhos melhores do que quem empurrou tudo para o fim.

Agora pense no candidato com o edital aberto e a prova marcada para dali a quatro meses. O cronograma tem uma data só, a da prova, e todas as matérias parecem caber nela. Na primeira semana, sobra tempo; na última, sobra matéria.

A data única falha porque o custo de adiar hoje é zero. Um dia sem estudar processo civil não muda nada visível, e a soma desses dias só aparece quando já não há como recuperar.

Os prazos próprios criam um custo pequeno e próximo, num calendário que você mesmo assina. A técnica abaixo mostra como montar esses marcos e por que eles seguram o estudo melhor do que a data da prova sozinha.

Continue lendo ↓

 
 

I  A Técnica

Três datas antes da data final

Um prazo longe demais não pesa na decisão de hoje.

Quebre a data da prova em marcos de entrega, cada um com dia marcado e um custo pequeno para o atraso. Chame a regra de prazo-âncora: cada marco segura uma parte do edital no lugar.

Ariely e Wertenbroch partiram de uma observação simples sobre quem adia. A pessoa sabe que vai adiar, e ainda assim adia. O nome técnico do remédio é pré-compromisso (precommitment, em inglês): uma escolha feita agora que fecha portas para a versão de você que vai querer adiar depois.

O exemplo clássico vem da Odisseia, de Homero. Ulisses pediu aos marinheiros que o amarrassem ao mastro antes de passar pelas sereias, porque sabia que, ao ouvir o canto, mandaria desviar o navio. A corda decidiu por ele, e o navio passou.

Por que a data única não segura

A data da prova fica distante, e a perda causada por um dia de folga parece nenhuma. Os economistas chamam o fenômeno de desconto hiperbólico (a tendência de dar peso exagerado ao agora e quase nenhum ao depois): o descanso de hoje vem inteiro, e o prejuízo do atraso chega diluído em meses.

O prazo-âncora traz o prejuízo para perto. Com um marco a cada três semanas, o atraso deixa de sumir no futuro e vira um dia vencido no calendário, visível na mesma semana em que aconteceu.

"Você pode adiar, mas o tempo não vai."

Benjamin Franklin, O Caminho da Riqueza (The Way to Wealth), 1758

Franklin publicou a frase num almanaque vendido a fazendeiros, gente que conhecia de perto a colheita perdida por um plantio atrasado. O prazo-âncora aplica o mesmo raciocínio ao estudo: o tempo corre igual, mas o marco mostra a perda enquanto ainda dá para plantar.

A regra tem um limite. O marco precisa de custo real, mesmo que pequeno. Data anotada sem consequência vira lembrete, e lembrete se ignora com facilidade.

Outro limite: prazo apertado demais quebra o plano na segunda semana. O marco funciona quando cabe na rotina que você tem, e não na rotina que gostaria de ter.

O prazo que você marca para si também rende menos do que um prazo bem espaçado imposto por outra pessoa. Os dois pesquisadores mediram a diferença, e os números aparecem logo abaixo.

 
 

II  O Dado

Erros achados em 3 semanas de revisão

Dan Ariely, do MIT, e Klaus Wertenbroch, do Insead, publicaram em 2002 na Psychological Science dois estudos sobre prazos. No segundo, revisores pagos para achar erros em três textos encontraram, em média, 136 erros com prazos semanais impostos, 104 com prazos próprios e 70 com uma data única no fim.

O artigo se chama Procrastination, Deadlines, and Performance: Self-Control by Precommitment (procrastinação, prazos e desempenho: autocontrole por pré-compromisso). O primeiro estudo foi a turma do MIT; o segundo levou o teste para fora da sala, com 60 voluntários e uma tarefa paga.

Cada voluntário recebia três textos longos com erros de gramática e ortografia plantados, e ganhava 10 centavos de dólar por erro encontrado. Cada dia de atraso custava 1 dólar.

EstudoAriely e Wertenbroch, 2002
InstituiçõesMIT e Insead
PublicaçãoPsychological Science
Prazos semanais impostos136 erros achados
Prazos escolhidos pelo voluntário104 erros achados
Data única no fim70 erros achados

Os três grupos tinham as mesmas três semanas de trabalho. A diferença estava só no calendário: um recebeu uma data por semana, outro recebeu apenas a data final, e o terceiro escolheu as próprias datas, sob a mesma multa.

O grupo do prazo próprio ficou no meio. Escolher datas ajudou bastante em relação à data única, mas os voluntários marcaram prazos mais frouxos do que os ideais e perderam parte do ganho.

Na turma do MIT, o padrão se repetiu. A turma com datas fixas e espaçadas, definidas pelo professor, tirou notas maiores do que a turma que escolheu as datas. Dentro da turma da escolha, quem espalhou os prazos foi melhor do que quem os juntou no fim.

A multa da turma era a mesma do começo da história: 1 ponto em cada 100 da nota por dia de atraso, valendo para qualquer data marcada. Mesmo com esse risco extra, a maioria preferiu se amarrar a datas intermediárias, sinal de que os alunos conheciam a própria tendência de adiar.

A leitura dos autores tem duas partes. As pessoas sabem que adiam, e aceitam pagar para se amarrar. E calibram mal o tamanho da corda: o prazo que marcam para si sai mais folgado do que deveria.

Os limites contam. Os participantes eram estudantes e voluntários americanos, as tarefas duravam semanas, e a medida era a qualidade de um trabalho escrito ou de uma revisão de texto.

Ninguém mediu o método em candidatos de concurso com quatro meses de edital pela frente. Levar o prazo-âncora para o cronograma é uma aposta razoável, apoiada no mesmo mecanismo, e não um resultado testado em prova.

 

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III  Na Prática

Um marco a cada 3 semanas

Passo 1, divida o edital em blocos: some as matérias e agrupe tudo em quatro a seis blocos de tamanho parecido, pelo peso de cada matéria na prova.

Passo 2, marque uma data por bloco: espalhe as datas até a prova, com o último marco pelo menos três semanas antes dela, reservadas para revisão.

Passo 3, ponha um custo no atraso: escolha uma perda pequena e concreta, como uma noite de série a menos ou R$ 20 numa caixinha, e conte a regra a alguém de confiança.

Um exemplo com prova em 18 semanas. Bloco 1, português e direito constitucional, fecha na semana 3. Bloco 2, direito administrativo, na semana 6. Bloco 3, processo civil, na semana 9. Bloco 4, direito civil, na semana 12. Bloco 5, informática e legislação especial, na semana 15.

As semanas 16 a 18 ficam para revisão e simulados. Nenhuma matéria nova entra nelas.

A data de cada marco vai para a agenda do celular e para a parede, com o custo do atraso anotado junto.

O fim do bloco se prova com uma entrega verificável: um simulado de 30 questões só daquele bloco, corrigido e anotado no caderno de erros. Bloco sem simulado conta como atrasado.

Um tropeço comum é repetir o erro do grupo que escolheu as próprias datas no estudo de 2002: marcos confortáveis demais. Se a data não incomoda um pouco, está longe demais.

Outro tropeço é mover a data quando ela chega. Marco remarcado vira a data única de novo; se o bloco atrasou, pague o custo e siga para o próximo.

Quem já está no meio do cronograma começa pelo bloco atual: marque a data dele para daqui a três semanas e encaixe os seguintes a partir dela.

O custo do Passo 3 não precisa doer muito; precisa existir e ter testemunha. No estudo de 2002, a multa de 1 dólar por dia era pequena perto do que os voluntários ganhavam, e ainda assim mudou o calendário inteiro de quem a escolheu.

"Qual matéria do seu edital está sem data desde o dia em que você abriu o PDF?"

Confira na sua agenda antes de dormir:

a data de cada marco escrita, em dia e mês;

o custo do atraso anotado, em reais ou em tarefa;

os dias entre o último marco e a prova, em número.

 
 
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No segundo estudo de Ariely e Wertenbroch (2002), quantos erros os revisores encontraram em média no grupo que escolheu os próprios prazos?

A70 erros
B104 erros
C136 erros
D150 erros

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
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