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A correção rende mais quando acontece no lugar do erro.
Errou uma questão: pare nela, ache a linha exata em que o raciocínio desviou e refaça a questão inteira, de gabarito fechado, antes de passar para a próxima. A regra vem do estudo de Robert Duke, Amy Simmons e Carla Davis Cash, da Universidade do Texas em Austin, publicado em 2009.
Ao piano, a diferença aparece no segundo seguinte ao tropeço. O pianista comum segue tocando até o fim do trecho e recomeça do zero. O pianista que venceu interrompia, voltava duas ou três notas e tocava só aquele pedaço.
Recomeçar do zero parece trabalho honesto. Gasta tempo, cansa, dá sensação de esforço. Mas cada volta inteira repete também as partes que já estavam certas, e o compasso difícil recebe uma única tentativa a cada passada.
Parar no erro inverte a proporção. O trecho problemático recebe cinco, dez tentativas seguidas, e o resto da peça espera a sua vez.
Numa hora de treino com dez voltas completas, um compasso difícil ganha dez tentativas espalhadas. Na mesma hora, com paradas no erro, ele pode ganhar trinta, coladas umas nas outras, enquanto a lembrança do tropeço ainda está fresca.
Três gestos no ponto do erro
Os melhores do estudo faziam três movimentos ao parar. Primeiro, localizavam o erro com precisão: a nota, o dedo, o compasso. Segundo, mudavam a forma de tocar ali, quase sempre reduzindo o andamento (a velocidade da execução). Terceiro, repetiam a versão correta até ela sair limpa várias vezes seguidas.
O terceiro gesto pesa mais. Acertar uma vez pode ser sorte. Acertar em sequência, no mesmo ponto, mostra que a mão aprendeu o caminho.
Na questão de concurso, o compasso vira a linha do enunciado ou a alternativa onde o raciocínio saiu do trilho: a palavra “exceto” que passou batida, o prazo de 30 dias trocado por quinze, a competência atribuída ao órgão errado.
Ler o gabarito equivale a ouvir outra pessoa tocar o compasso certo. Ajuda a saber como soa, mas a sua mão continua sem ter tocado.
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“It's not how much; it's how.”
Robert Duke, Amy Simmons e Carla Davis Cash, título do artigo no Journal of Research in Music Education, 2009
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O título do artigo cabe numa linha (em português, algo como “o que conta é o como, e a quantidade fica em segundo plano”) e resume a técnica: a mesma hora de estudo rende diferente conforme o que se faz no instante do erro.
A técnica tem limite. Parar em cada deslize num simulado cronometrado quebra o treino de tempo. A correção no ponto do erro serve à sessão de estudo, e o simulado corre sem pausa.
A seção seguinte mostra como os três pesquisadores mediram a diferença e o que o desenho do estudo permite afirmar.
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