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A ordem das matérias que os alunos erraram
Kornell e Bjork, da UCLA, mostraram em 2008 que quadros de doze pintores misturados ensinam mais que em blocos, contra a aposta dos alunos.
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Paisagens de estilos diferentes lado a lado
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Uma em doze. Era a chance de acertar no chute o autor de uma paisagem nunca vista, escolhendo entre doze pintores, e foi contra essa linha de base que Nate Kornell e Robert Bjork mediram, na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), em 2008, duas formas de estudar os mesmos quadros.
Na primeira, o aluno via seis telas de um pintor seguidas, depois seis do próximo. Na segunda, as mesmas telas vinham misturadas, um pintor diferente a cada quadro. Na prova, com obras inéditas, o grupo que estudou misturado acertou bem mais.
A surpresa veio depois. Os pesquisadores perguntaram aos participantes qual ordem tinha ensinado melhor, e a maioria apontou os blocos, justamente a ordem que rendeu menos na prova que eles tinham acabado de fazer.
Quem estuda para concurso monta o ciclo com a mesma intuição. Uma semana inteira de direito administrativo, depois uma de constitucional, depois português. Cada bloco dá a sensação de domínio, porque o assunto de hoje se parece com o de ontem e a memória encontra tudo à mão.
A prova desmonta essa sensação. No caderno de questões, a pergunta de licitação chega depois de uma de crase e antes de uma de controle de constitucionalidade, sem aviso de qual matéria vem a seguir.
Nessa ordem embaralhada, a tarefa real muda de natureza. Antes de responder, o candidato precisa reconhecer qual regra a questão está cobrando, e esse reconhecimento é o que os blocos nunca treinam.
Os quadros de Kornell e Bjork medem exatamente essa habilidade. Olhar uma paisagem e dizer de quem ela é depende de perceber a diferença entre estilos parecidos, e a diferença só aparece quando os estilos passam lado a lado.
O ciclo de estudo pode ser montado do mesmo jeito, sem aumentar as horas. Muda só a sequência dos blocos na semana e a forma de alternar os assuntos dentro de cada sessão.
A técnica começa pela escolha de quais assuntos alternar e de quais manter juntos.
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I A Técnica
Misture o que se confunde
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A intercalação rende mais quando alterna assuntos que o candidato costuma trocar entre si na hora da prova.
Intercale dentro da mesma matéria primeiro: alterne tópicos vizinhos, como atos administrativos, licitações e contratos, em vez de esgotar um tópico para só então passar ao seguinte. São esses tópicos vizinhos que a banca coloca lado a lado nas alternativas.
Chame a técnica de ciclo em trança. Cada sessão de estudo puxa dois ou três fios da mesma disciplina e troca de fio a cada bloco de 25 a 40 minutos, voltando ao primeiro na última meia hora.
O efeito vem da comparação. Estudar prescrição e decadência (os dois prazos que extinguem um direito, um pela inércia em cobrar e outro pela perda do próprio direito) na mesma sessão obriga a mente a separar os dois conceitos, e a separação é o que a questão cobra.
Estudados em semanas diferentes, os dois prazos ficam guardados como fatos soltos. Na prova, aparecem juntos numa mesma alternativa, e o candidato não treinou a distinção.
A troca de fio tem hora certa. Mude de tópico quando terminar um conjunto fechado de questões ou de páginas, e não no susto da primeira dificuldade; a trança perde força quando vira fuga do trecho difícil.
Onde a trança não entra
Nem todo assunto aceita mistura desde o começo. Conteúdo totalmente novo, que você ainda não entende, pede uma primeira passada em sequência, até formar a base mínima para comparar.
Intercalar assuntos sem relação nenhuma também rende pouco. Alternar regência verbal com orçamento público não treina distinção alguma, porque ninguém confunde um com o outro na prova.
A regra prática: agrupe na mesma sessão os tópicos que dividem vocabulário, prazo ou estrutura parecida. Recurso e reclamação, princípios e regras, juros simples e compostos.
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"Quem está em toda parte não está em lugar nenhum."
Sêneca, Cartas a Lucílio, carta 2, cerca de 65 d.C.
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A frase de Sêneca serve de limite para a trança. Ela condena a dispersão, o leitor que pula de livro em livro sem terminar nenhum; a intercalação alterna poucos fios escolhidos e volta a cada um deles até dominá-los.
Falta mostrar de onde veio a vantagem da mistura e por que tanta gente aposta contra ela. O experimento das paisagens responde às duas perguntas.
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II O Dado
Doze pintores e uma aposta errada
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Nate Kornell e Robert Bjork, da UCLA, publicaram em 2008 na revista Psychological Science (ciência psicológica) um experimento com paisagens de doze pintores. Estudadas misturadas, as telas renderam 61% de acerto na identificação de obras novas; estudadas em blocos, 35%.
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Robert Bjork dirige na UCLA um laboratório de aprendizagem e esquecimento e cunhou a expressão dificuldades desejáveis (condições que tornam o estudo mais custoso na hora e mais duradouro depois). Kornell era pesquisador de pós-doutorado no grupo quando o artigo saiu.
Os pintores tinham estilos próximos e, na maioria, eram pouco conhecidos, para que ninguém acertasse por fama. Georges Braque e Georges Seurat dividiam a lista com nomes como Philip Juras e Marilyn Mylrea.
Cada participante via seis telas de cada pintor, sempre com a assinatura do autor escrita abaixo da tela. Metade dos pintores aparecia em blocos, metade misturada, e a prova usava quatro quadros inéditos de cada um, sem autor indicado, para o aluno identificar o autor.
| Estudo | Nate Kornell e Robert Bjork, 2008 |
| Título original | Learning concepts and categories (aprender conceitos e categorias) |
| Publicação | Psychological Science |
| Material | paisagens de doze pintores, seis telas de cada |
| Prova | identificar o autor de quadros inéditos |
| Acerto medido | 61% misturado, 35% em blocos |
A explicação dos autores passa pelo contraste. Em bloco, o aluno vê o que as telas de um pintor têm em comum; misturado, ele vê o que separa um pintor do outro, e é a diferença que permite reconhecer uma obra nova.
Terminada a prova, os pesquisadores perguntaram qual ordem tinha ajudado mais. Segundo o artigo de Kornell e Bjork, 78% dos participantes responderam que os blocos tinham ensinado tanto quanto a mistura, ou mais.
A aposta errada se explica pelo conforto. Em bloco, a sexta tela de Seurat parece fácil, porque as cinco anteriores ainda estão frescas, e essa facilidade passa por aprendizado. Misturado, cada quadro exige buscar de novo o estilo certo, e o esforço da busca parece falha.
Bjork chama esse engano de ilusão de competência (a confiança que nasce da facilidade do momento, e não do que a memória guarda). O aluno mede o próprio estudo pela fluência durante a sessão, enquanto a prova mede o que sobra depois dela.
Os limites contam. Os participantes eram universitários, o material era visual e a prova vinha poucos minutos depois do estudo, sem o intervalo de semanas que separa o ciclo do dia do concurso.
Por essa distância a trança da seção I começa dentro da mesma disciplina, onde a semelhança entre tópicos lembra a semelhança entre os pintores, e não tenta misturar todo o edital numa sessão.
Falta levar a medição para o seu ciclo, com uma ordem de matérias que cabe numa folha.
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