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ED 041
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A ordem das matérias que os alunos erraram

Kornell e Bjork, da UCLA, mostraram em 2008 que quadros de doze pintores misturados ensinam mais que em blocos, contra a aposta dos alunos.

Parede de galeria com paisagens de estilos diferentes lado a lado e um caderno de estudo aberto num banco.

Paisagens de estilos diferentes lado a lado

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Uma em doze. Era a chance de acertar no chute o autor de uma paisagem nunca vista, escolhendo entre doze pintores, e foi contra essa linha de base que Nate Kornell e Robert Bjork mediram, na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), em 2008, duas formas de estudar os mesmos quadros.

Na primeira, o aluno via seis telas de um pintor seguidas, depois seis do próximo. Na segunda, as mesmas telas vinham misturadas, um pintor diferente a cada quadro. Na prova, com obras inéditas, o grupo que estudou misturado acertou bem mais.

A surpresa veio depois. Os pesquisadores perguntaram aos participantes qual ordem tinha ensinado melhor, e a maioria apontou os blocos, justamente a ordem que rendeu menos na prova que eles tinham acabado de fazer.

Quem estuda para concurso monta o ciclo com a mesma intuição. Uma semana inteira de direito administrativo, depois uma de constitucional, depois português. Cada bloco dá a sensação de domínio, porque o assunto de hoje se parece com o de ontem e a memória encontra tudo à mão.

A prova desmonta essa sensação. No caderno de questões, a pergunta de licitação chega depois de uma de crase e antes de uma de controle de constitucionalidade, sem aviso de qual matéria vem a seguir.

Nessa ordem embaralhada, a tarefa real muda de natureza. Antes de responder, o candidato precisa reconhecer qual regra a questão está cobrando, e esse reconhecimento é o que os blocos nunca treinam.

Os quadros de Kornell e Bjork medem exatamente essa habilidade. Olhar uma paisagem e dizer de quem ela é depende de perceber a diferença entre estilos parecidos, e a diferença só aparece quando os estilos passam lado a lado.

O ciclo de estudo pode ser montado do mesmo jeito, sem aumentar as horas. Muda só a sequência dos blocos na semana e a forma de alternar os assuntos dentro de cada sessão.

A técnica começa pela escolha de quais assuntos alternar e de quais manter juntos.

Continue lendo ↓

 
 

I  A Técnica

Misture o que se confunde

A intercalação rende mais quando alterna assuntos que o candidato costuma trocar entre si na hora da prova.

Intercale dentro da mesma matéria primeiro: alterne tópicos vizinhos, como atos administrativos, licitações e contratos, em vez de esgotar um tópico para só então passar ao seguinte. São esses tópicos vizinhos que a banca coloca lado a lado nas alternativas.

Chame a técnica de ciclo em trança. Cada sessão de estudo puxa dois ou três fios da mesma disciplina e troca de fio a cada bloco de 25 a 40 minutos, voltando ao primeiro na última meia hora.

O efeito vem da comparação. Estudar prescrição e decadência (os dois prazos que extinguem um direito, um pela inércia em cobrar e outro pela perda do próprio direito) na mesma sessão obriga a mente a separar os dois conceitos, e a separação é o que a questão cobra.

Estudados em semanas diferentes, os dois prazos ficam guardados como fatos soltos. Na prova, aparecem juntos numa mesma alternativa, e o candidato não treinou a distinção.

A troca de fio tem hora certa. Mude de tópico quando terminar um conjunto fechado de questões ou de páginas, e não no susto da primeira dificuldade; a trança perde força quando vira fuga do trecho difícil.

Onde a trança não entra

Nem todo assunto aceita mistura desde o começo. Conteúdo totalmente novo, que você ainda não entende, pede uma primeira passada em sequência, até formar a base mínima para comparar.

Intercalar assuntos sem relação nenhuma também rende pouco. Alternar regência verbal com orçamento público não treina distinção alguma, porque ninguém confunde um com o outro na prova.

A regra prática: agrupe na mesma sessão os tópicos que dividem vocabulário, prazo ou estrutura parecida. Recurso e reclamação, princípios e regras, juros simples e compostos.

"Quem está em toda parte não está em lugar nenhum."

Sêneca, Cartas a Lucílio, carta 2, cerca de 65 d.C.

A frase de Sêneca serve de limite para a trança. Ela condena a dispersão, o leitor que pula de livro em livro sem terminar nenhum; a intercalação alterna poucos fios escolhidos e volta a cada um deles até dominá-los.

Falta mostrar de onde veio a vantagem da mistura e por que tanta gente aposta contra ela. O experimento das paisagens responde às duas perguntas.

 
 

II  O Dado

Doze pintores e uma aposta errada

Nate Kornell e Robert Bjork, da UCLA, publicaram em 2008 na revista Psychological Science (ciência psicológica) um experimento com paisagens de doze pintores. Estudadas misturadas, as telas renderam 61% de acerto na identificação de obras novas; estudadas em blocos, 35%.

Robert Bjork dirige na UCLA um laboratório de aprendizagem e esquecimento e cunhou a expressão dificuldades desejáveis (condições que tornam o estudo mais custoso na hora e mais duradouro depois). Kornell era pesquisador de pós-doutorado no grupo quando o artigo saiu.

Os pintores tinham estilos próximos e, na maioria, eram pouco conhecidos, para que ninguém acertasse por fama. Georges Braque e Georges Seurat dividiam a lista com nomes como Philip Juras e Marilyn Mylrea.

Cada participante via seis telas de cada pintor, sempre com a assinatura do autor escrita abaixo da tela. Metade dos pintores aparecia em blocos, metade misturada, e a prova usava quatro quadros inéditos de cada um, sem autor indicado, para o aluno identificar o autor.

EstudoNate Kornell e Robert Bjork, 2008
Título originalLearning concepts and categories (aprender conceitos e categorias)
PublicaçãoPsychological Science
Materialpaisagens de doze pintores, seis telas de cada
Provaidentificar o autor de quadros inéditos
Acerto medido61% misturado, 35% em blocos

A explicação dos autores passa pelo contraste. Em bloco, o aluno vê o que as telas de um pintor têm em comum; misturado, ele vê o que separa um pintor do outro, e é a diferença que permite reconhecer uma obra nova.

Terminada a prova, os pesquisadores perguntaram qual ordem tinha ajudado mais. Segundo o artigo de Kornell e Bjork, 78% dos participantes responderam que os blocos tinham ensinado tanto quanto a mistura, ou mais.

A aposta errada se explica pelo conforto. Em bloco, a sexta tela de Seurat parece fácil, porque as cinco anteriores ainda estão frescas, e essa facilidade passa por aprendizado. Misturado, cada quadro exige buscar de novo o estilo certo, e o esforço da busca parece falha.

Bjork chama esse engano de ilusão de competência (a confiança que nasce da facilidade do momento, e não do que a memória guarda). O aluno mede o próprio estudo pela fluência durante a sessão, enquanto a prova mede o que sobra depois dela.

Os limites contam. Os participantes eram universitários, o material era visual e a prova vinha poucos minutos depois do estudo, sem o intervalo de semanas que separa o ciclo do dia do concurso.

Por essa distância a trança da seção I começa dentro da mesma disciplina, onde a semelhança entre tópicos lembra a semelhança entre os pintores, e não tenta misturar todo o edital numa sessão.

Falta levar a medição para o seu ciclo, com uma ordem de matérias que cabe numa folha.

 

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III  Na Prática

Monte o ciclo em trança

Passo 1, liste os pares que se confundem: para cada disciplina, anote dois ou três tópicos que você já errou por troca, conferindo o caderno de erros ou as últimas questões corrigidas.

Passo 2, junte cada par numa sessão: coloque os tópicos do mesmo grupo na mesma sessão, trocando a cada 25 a 40 minutos, e deixe na sessão seguinte um grupo diferente.

Passo 3, alterne as disciplinas na semana: em vez de uma semana por matéria, distribua cada disciplina em dias alternados, para que nenhuma fique mais de três dias sem aparecer.

Um exemplo com a semana de quem estuda três horas por noite. Segunda, administrativo com atos e licitações. Terça, português com crase e regência. Quarta, administrativo de novo, agora licitações e contratos.

Quinta, constitucional com controle difuso e concentrado (o primeiro feito por qualquer juiz num caso concreto, o segundo pelo Supremo sobre a lei em tese). Sexta, português e constitucional divididos ao meio. Sábado, bateria de questões misturadas das três matérias.

A bateria de sábado fecha a trança. As questões vêm sem rótulo de disciplina, na ordem que a banca usa, e a tarefa inicial é dizer qual regra cada uma cobra antes de marcar a resposta.

Anote em cada questão errada a causa do erro. Se a falha foi confundir dois tópicos, o par vai para a lista do passo 1 e ganha sessão conjunta na semana seguinte.

Um tropeço comum é voltar aos blocos na primeira semana de desconforto. A sessão misturada parece mais lenta e mais confusa, e os 78% da UCLA mostram que essa impressão engana a maioria.

Outro tropeço é trançar conteúdo ainda desconhecido. Assunto novo recebe a primeira passada em sequência; ele só entra na trança quando você consegue explicá-lo sem o material.

Dê à trança quatro semanas antes de julgar. Compare o acerto das baterias de sábado com o das semanas em bloco, pela porcentagem das questões misturadas, e não pela sensação ao fim de cada sessão.

"Quais dois tópicos do seu edital você troca na prova e ainda estuda em semanas separadas?"

Confira na sua planilha de ciclo:

quantos dias a disciplina que ficou mais tempo parada passou sem aparecer;

quantos pares de tópicos confundidos já dividem a mesma sessão;

se a bateria semanal de questões mistura três matérias ou mais.

 
 
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No experimento de Kornell e Bjork na UCLA, depois da prova com os quadros, que porcentagem dos participantes apostou que estudar em blocos tinha ensinado tanto quanto ou mais que misturado?

A35%
B50%
C61%
D78%

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