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Abrir o gabarito no segundo seguinte devolve alívio; abrir algumas horas depois devolve memória.
Responda o bloco inteiro sem consultar nada, anote ao lado de cada questão o seu grau de certeza, feche o caderno e só abra o gabarito depois de um intervalo de algumas horas, de preferência na manhã seguinte. A correção continua completa, com comentário e tudo; ela apenas chega atrasada.
O intervalo é o ingrediente ativo, e ele funciona porque obriga uma segunda recuperação. Na correção atrasada, antes de ler a letra certa você precisa buscar na memória o que a questão pedia e o que você marcou, e essa busca é um exercício de prova em miniatura que a correção imediata dispensa.
O grau de certeza transforma a correção atrasada em diagnóstico. Use três marcas na margem: C para a resposta que você sustentaria numa banca, D para a que ficou entre duas alternativas, X para o chute puro, e escreva a marca antes de saber o resultado, nunca depois.
A marca é o que separa o acerto de verdade do acerto por sorte. Questão marcada com X e acertada por chute é erro disfarçado, e num gabarito aberto na hora ela passa batida porque a cor verde do acerto cobre a origem do acerto.
Como programar o atraso
Escolha um horário fixo de correção e trate esse horário como parte do simulado. Simulado de manhã corrige à noite; simulado da noite corrige no café da manhã seguinte, e o intervalo de poucas horas já basta para a tentativa esfriar.
Separe fisicamente a tentativa da correção. Folha de respostas virada para baixo, aba do gabarito fechada, PDF comentado em outra pasta: a devolutiva (a resposta certa que volta para você) precisa ficar a mais de um clique de distância, porque a curiosidade de conferir chega antes da disciplina.
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"O feedback atrasado produziu desempenho melhor no teste final do que o feedback imediato."
Andrew Butler, Jeffrey Karpicke e Henry Roediger III, Journal of Experimental Psychology: Applied, 2007
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Na hora de corrigir, leia primeiro o seu próprio papel. Percorra as questões marcadas com D e X, tente reconstruir o enunciado e justifique por escrito, em uma linha, por que você escolheu aquela alternativa; só então levante o gabarito e compare as duas histórias.
Aceite a desconfortável sensação de não lembrar da questão. Ela é o sinal de que o intervalo funcionou: correção que você entende sem nenhum esforço de reconstrução é correção que chegou cedo demais para deixar marca.
Conte o tamanho do intervalo em horas e anote esse número ao lado da data. Intervalo de dez minutos e intervalo de doze horas produzem experiências de correção completamente diferentes, e você só descobre o seu ponto de equilíbrio comparando os próprios registros.
A objeção razoável é a do erro que fica solto: corrigir amanhã significa passar a noite com uma resposta errada na cabeça. A comparação entre os dois horários de correção foi feita em laboratório com questões de múltipla escolha, e o desenho dela responde a essa objeção melhor do que a intuição.
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