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O tópico que some quando o irmão é revisado
Anderson, Bjork e Bjork mostraram em 1994 que treinar parte de uma categoria derruba a lembrança dos exemplos vizinhos.
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Fichas revisadas na frente, irmãs apagadas atrás
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Uma em duas. Era a chance de um universitário lembrar, vinte minutos depois de estudar, uma palavra que ele tinha visto e nunca revisado, e foi essa linha de base que Michael Anderson, Robert Bjork e Elizabeth Bjork usaram na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), em 1994, para medir um prejuízo que ninguém procurava.
A palavra podia ser banana, estudada no par fruta e banana. O estudante via uma lista de pares assim, sempre uma categoria e um exemplo dela, e depois treinava só alguns: completava fruta e la__ três vezes, sem ver banana de novo.
Na prova final, a laranja treinada voltava fácil. A banana, que ninguém tocou, voltava pior do que uma palavra de categoria inteiramente esquecida pelo treino, como um exemplo de bebida deixado de lado.
Revisar a laranja cobrou um preço da banana. A memória tratou as duas frutas como concorrentes pela mesma pista, e a vencedora do treino empurrou a outra para trás.
Quem estuda para concurso repete o experimento toda semana sem perceber. Revisa pregão, porque caiu na última prova, e deixa concorrência e leilão para depois. Revisa crase antes de pronome e pula crase antes de horário.
Na véspera, o tópico revisado parece firme. O irmão dele, que o candidato julgava guardado desde a primeira leitura, some justo na questão que coloca os dois lado a lado.
A sensação costuma ser de branco ou de cansaço. O mecanismo medido pelos três pesquisadores aponta outra causa: a própria revisão, feita em parte da família de tópicos, baixou o acesso ao resto dela.
O remédio cabe no ciclo que você já tem, sem somar horas. Muda a forma de escolher o que entra em cada revisão e a ordem em que os irmãos voltam.
A técnica começa por enxergar o edital como famílias de tópicos que disputam a mesma pista.
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I A Técnica
Revise a família inteira
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Toda revisão escolhe, mesmo sem querer, quais tópicos de uma família ganham treino e quais ficam parados.
Revise a família inteira de tópicos na mesma sessão: se a pista que a banca usa puxa cinco respostas, as cinco passam pela busca na memória, e nenhuma fica só na releitura. Família, aqui, é o grupo de tópicos que responde à mesma pergunta de prova.
Chame a técnica de rodízio de irmãos. Cada família do edital recebe uma lista curta de membros, e cada revisão puxa todos eles, mudando qual vem primeiro.
A pista é a porta de entrada. Na questão que pergunta qual modalidade de licitação cabe ao caso, a pista é modalidade, e ela abre pregão, concorrência, concurso, leilão e diálogo competitivo, as cinco modalidades da Lei 14.133, de 2021. Treinar só pregão alarga uma porta e estreita as outras quatro.
Buscar é o verbo que decide. O prejuízo aparece quando o candidato puxa a resposta da memória, num flashcard (cartão de pergunta e resposta) ou numa questão; reler o resumo com todos os irmãos na página cobra outro preço, como a seção seguinte mostra.
Quando o irmão sofre mais
Nem todo tópico vizinho perde igual. O prejuízo cresce quando o irmão disputa a pista com força, a ponto de atrapalhar a busca pelo tópico treinado: para trazer um, a mente precisa calar o outro.
Por essa lógica, os irmãos mais expostos são os que você já conhece bem e confunde. Concorrência e pregão, ato vinculado e ato discricionário (o primeiro com conduta fixada pela lei, o segundo com margem de escolha ao administrador), prescrição e decadência.
Sofre menos o irmão que foi estudado em comparação com o treinado. Quem aprende pregão e concorrência pela diferença no critério de julgamento cria uma dupla que volta junta, e não dois rivais pela mesma vaga.
A regra prática: marque no edital as famílias em que você lembra sempre o mesmo membro e esquece os outros. Elas entram primeiro no rodízio.
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"Se lembrássemos de tudo, estaríamos, na maioria das ocasiões, tão mal quanto se não lembrássemos de nada."
William James, Os Princípios de Psicologia, 1890.
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James escreveu a frase para defender o esquecimento como parte do bom funcionamento da memória. A mente que abaixa o que não usa ganha agilidade, e o candidato paga a conta quando o tópico abaixado cai na prova.
Falta mostrar como o prejuízo foi medido e quanto ele pesava.
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II O Dado
Laranja treinada, banana esquecida
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Michael Anderson, Robert Bjork e Elizabeth Bjork publicaram em 1994 no Journal of Experimental Psychology (revista de psicologia experimental) o artigo que batizou o efeito. Os exemplos treinados foram lembrados em cerca de 73% das vezes; os irmãos deixados sem treino, em 38%; os exemplos de categorias sem treino nenhum, em 50%.
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Robert e Elizabeth Bjork, casados, dirigem laboratórios de memória na UCLA. Michael Anderson fazia doutorado no grupo e depois levou a linha de pesquisa para a Universidade de Oregon e, mais tarde, para a Universidade de Cambridge, na Inglaterra.
O material eram listas de pares de categoria e exemplo. Cada estudante via oito categorias com seis exemplos cada, e depois treinava a recuperação de metade dos exemplos de metade das categorias, completando o par pelas duas primeiras letras.
Cada item treinado passava por três rodadas de busca. Vinte minutos depois, a prova dava só a categoria e pedia todos os exemplos estudados dela, treinados ou não.
| Estudo | Anderson, Bjork e Bjork, 1994 |
| Título original | Remembering can cause forgetting (lembrar pode causar esquecimento) |
| Publicação | Journal of Experimental Psychology: Learning, Memory, and Cognition |
| Material | oito categorias, seis exemplos cada |
| Intervalo até a prova | vinte minutos |
| Lembrança medida | 73% treinados, 38% irmãos, 50% sem treino |
A comparação que importa põe os 38% contra os 50%. O exemplo esquecido de uma fruta rendeu menos que um exemplo de categoria que ninguém revisou, e a queda vem do treino dos vizinhos, e não da passagem do tempo, igual para todos.
Os autores chamaram o fenômeno de retrieval-induced forgetting (esquecimento induzido por recuperação) e o atribuíram à inibição (a supressão ativa de uma memória concorrente). Para trazer laranja, a mente cala banana, que também responde à pista fruta, e o silêncio dura depois do treino.
A força do irmão mudou a conta. No experimento, os exemplos muito associados à categoria, como banana para fruta, sofreram a queda; os exemplos raros quase não caíram, porque atrapalhavam pouco a busca e não precisavam ser calados.
Em 2000, o mesmo trio de pesquisadores testou a releitura. Quando os estudantes apenas reviam o par completo, sem precisar completá-lo, os irmãos não caíam, o que livra a releitura desse dano e confirma que a busca é o gatilho.
Os limites contam. Os participantes eram universitários, o material era uma lista de palavras e a prova vinha vinte minutos depois. Malcolm MacLeod e C. Neil Macrae mostraram em 2001, na revista Psychological Science, que o prejuízo se desfazia depois de 24 horas.
Por essa vida curta, o risco maior mora na revisão da véspera e da manhã da prova, quando o candidato treina só os favoritos de cada família e entra na sala com os irmãos ainda calados.
Falta levar a medição para a rotina, da revisão semanal à véspera.
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