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O marcador de texto ficou em último lugar
Dunlosky e quatro colegas revisaram em 2013 dez técnicas de estudo e puseram grifar e reler no fundo da tabela.
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Grifar ficou no fundo da tabela de 2013
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Duas em dez. Era a chance de a técnica de estudo que você usou ontem à noite ter sido classificada como de alta utilidade quando cinco pesquisadores americanos sentaram para julgar as dez mais comuns, uma por uma, com a bibliografia inteira na mesa. Oito ficaram abaixo. Duas passaram.
Quem estuda para concurso ou vestibular carrega um estojo com marcador amarelo, marcador verde, marcador rosa e um método herdado do ensino médio: ler o capítulo, grifar o que parece importante, reler o que foi grifado na véspera da prova. É o roteiro mais universal que existe entre candidatos, e também o mais barato de executar, porque não exige nada além de passar a caneta.
O julgamento pegou justamente esse roteiro. Grifar e reler foram avaliados pelo mesmo critério que todas as outras técnicas receberam, com a mesma pergunta simples: existe evidência de que a prática melhora o desempenho de estudantes reais, em matérias reais, com prova depois? As duas saíram do julgamento com a nota mais baixa da tabela.
O incômodo aqui não é acadêmico. Um candidato que passa quatro horas por dia com o marcador na mão investe cerca de mil horas por ano numa técnica que a revisão colocou no rodapé, e sai da sala de prova sem entender por que o conteúdo que ele "sabia" não apareceu na hora de escrever a resposta.
A explicação do fracasso é quase constrangedora de tão simples. Grifar e reler dão trabalho aos olhos e quase nenhum trabalho à memória. O texto fica na frente do candidato o tempo todo, o cérebro reconhece as frases, o reconhecimento vira sensação de domínio, e a sensação de domínio é o pior instrumento de medida que existe para prever nota.
As duas técnicas que sobraram no topo custam mais desconforto e menos dinheiro. Nenhuma delas exige apostila nova, plataforma nova ou aumento de carga horária, e as duas cabem no cronograma que você já mantém hoje.
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I A Técnica
Duas técnicas ficaram de pé
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Oito técnicas caíram, duas ficaram de pé.
Troque o tempo que você gasta passando marcador pelo tempo de tentar recuperar o conteúdo de cabeça, distribuído em vários dias. As duas manobras que sobreviveram ao julgamento de 2013 são a prática de teste e a prática distribuída.
Prática de teste significa fechar o material e responder. Pode ser uma questão da banca, um flashcard, uma pergunta que você mesmo escreveu no fim do capítulo, ou a tarefa mais crua de todas: pegar uma folha em branco e escrever tudo que lembra sobre o tópico antes de conferir. O ponto comum das versões é o esforço de puxar a informação sem ela estar visível.
Prática distribuída significa espalhar o contato com a mesma matéria por dias diferentes. Três blocos de quarenta minutos em três dias batem um bloco único de duas horas na véspera, com o mesmo total de minutos investidos. O calendário faz metade do trabalho enquanto você dorme.
Por que grifar não entrega
Passar o marcador é uma decisão sobre o texto, não sobre a memória. Você lê a frase, julga que ela é importante e pinta. A parte cognitivamente cara, recuperar o conteúdo depois sem apoio, fica adiada para sempre, porque o material grifado sempre estará ali na próxima leitura.
Reler tem o mesmo defeito com um agravante. A segunda passada pelo capítulo é muito mais fluida que a primeira, e a fluidez é lida pelo candidato como progresso. Você fecha o livro com a impressão de ter fixado, quando na verdade ficou mais rápido a reconhecer frases já vistas, o que a prova não cobra em lugar nenhum.
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Reconhecer uma frase no papel e produzir a resposta com o papel fechado são duas habilidades distintas, e a banca só compra a segunda.
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Existe um uso honesto para o marcador, e ele é estreito. Grifar serve para marcar onde está a informação que você vai transformar em pergunta depois, funcionando como índice de trabalho. O erro mora em tratar o ato de pintar como o próprio estudo, e em confundir uma página amarela com um conteúdo aprendido.
Vale dizer o que a revisão não afirmou. Nenhuma das técnicas de baixa utilidade foi declarada inútil em qualquer circunstância: elas foram classificadas por falta de evidência consistente de ganho em condições realistas de estudo. Uma técnica fraca continua melhor que não abrir o material, e continua pior que trinta minutos de questões respondidas de memória.
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II O Dado
Dez técnicas em cima da bancada
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John Dunlosky, Katherine Rawson, Elizabeth Marsh, Mitchell Nathan e Daniel Willingham publicaram em 2013, na revista Psychological Science in the Public Interest, uma revisão que avaliou dez técnicas de estudo e classificou apenas duas como de alta utilidade.
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O trabalho não foi um experimento novo. Os cinco autores varreram a literatura existente sobre cada técnica e julgaram cada uma por critérios declarados: se o ganho aparece em estudantes de idades diferentes, em matérias diferentes, em formatos de prova diferentes e em condições parecidas com as de estudo real, fora do laboratório.
As dez técnicas avaliadas foram: interrogação elaborativa, autoexplicação, resumo, grifar ou sublinhar, mnemônica de palavra-chave, uso de imagens mentais para textos, releitura, prática de teste, prática distribuída e prática intercalada.
| Publicação | Psychological Science in the Public Interest, 2013 |
| Autores | Dunlosky, Rawson, Marsh, Nathan e Willingham |
| Objeto | dez técnicas de estudo de uso corrente |
| Alta utilidade | prática de teste e prática distribuída |
| Baixa utilidade | grifar, reler, resumir, mnemônica de palavra-chave, imagens mentais |
Duas técnicas receberam a classificação de alta utilidade: prática de teste e prática distribuída. Três ficaram na faixa intermediária: interrogação elaborativa, autoexplicação e prática intercalada. As cinco restantes ficaram na faixa baixa, e entre elas estão as duas mais populares do estojo do candidato.
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"Grifar e sublinhar em geral não ajudam o desempenho dos estudantes, e podem até prejudicá-lo em tarefas que exigem inferência."
John Dunlosky, Katherine Rawson, Elizabeth Marsh, Mitchell Nathan e Daniel Willingham, Psychological Science in the Public Interest, 2013
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O detalhe da inferência merece atenção. Quando o candidato pinta trechos isolados, a atenção se concentra em frases soltas e se afasta das conexões entre elas, e a prova de banca boa cobra justamente a conexão: aplicar o dispositivo a um caso, comparar dois regimes, escolher qual regra vence quando duas colidem.
O resumo também caiu na faixa baixa, e o motivo é diferente. Resumir bem funciona, e é raro alguém resumir bem sem treino: a maioria dos estudantes copia frases do original em ordem levemente trocada, o que devolve leitura passiva com aparência de produção própria.
A revisão tem limites declarados pelos próprios autores. Boa parte da evidência disponível vem de experimentos com material curto e intervalo curto, e faltavam estudos longos com matéria densa de curso inteiro. A classificação descreve a força da evidência acumulada até 2013, e serve como aposta calibrada, jamais como decreto sobre cada estudante individualmente.
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