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Variar a matéria dentro do bloco rende; variar o formato do bloco cobra pedágio.
Intercalar conteúdo dentro de uma mesma sessão de questões aumenta o aprendizado; trocar o tipo de tarefa a cada vinte minutos destrói o tempo. A técnica consiste em manter o modo de trabalho fixo por um período longo e deixar a variação acontecer só na matéria de cada questão.
Modo de trabalho é o formato do que você faz com as mãos e com a cabeça: resolver questão objetiva, assistir aula, escrever resumo, decorar em flashcard, redigir discursiva. Cada modo tem um conjunto próprio de regras operando: onde olhar primeiro, o que anotar, quando conferir o gabarito, qual critério decide que terminou.
Quando o modo muda, essas regras precisam ser trocadas por outras, e a troca não é instantânea. Você começa a nova tarefa ainda carregando parte do procedimento da anterior, e os primeiros minutos saem devagar, com mais erro e mais releitura.
Quando só a matéria muda dentro do mesmo modo, o procedimento permanece de pé. Ler enunciado, identificar o que a banca pede, eliminar alternativa e marcar funciona igual em português e em direito constitucional, e a cabeça carrega apenas o conteúdo, que ela tem que buscar de qualquer jeito.
Como montar o bloco
Defina o modo antes de definir o conteúdo. Abra o dia decidindo blocos de noventa minutos por formato: um bloco de resolução de questões, um bloco de leitura ativa, um bloco de escrita. O conteúdo entra depois, dentro do bloco já escolhido.
Misture as matérias dentro do bloco de questões, e misture de propósito. Vinte questões de português seguidas treinam a repetição do mesmo procedimento; vinte questões embaralhadas entre três matérias obrigam você a decidir qual regra se aplica, que é exatamente o trabalho que a prova cobra na hora H.
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"O primeiro passo, o deslocamento de objetivo, remove a tarefa antiga da memória de trabalho e insere a nova; o segundo, a ativação de regra, desliga as regras da tarefa anterior e liga as da seguinte."
> Rubinstein, Meyer e Evans, Journal of Experimental Psychology: Human Perception and Performance, 2001
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Feche o bloco no relógio, não na fadiga. Terminar o bloco de questões porque bateu noventa minutos preserva a decisão para o dia seguinte; terminar porque cansou entrega o cronograma ao humor da noite, e o humor da noite escolhe sempre a tarefa mais leve.
Trate o celular como troca de tarefa, porque ele é uma. Responder uma mensagem no meio do bloco de questões não custa os quarenta segundos da mensagem: custa os quarenta segundos mais o tempo de recolocar as regras da resolução no lugar, e a segunda parcela é a cara.
A objeção honesta é a agenda de quem estuda em janelas curtas. Quem tem duas horas por dia, partidas em duas janelas de uma hora, não consegue blocos de noventa minutos, e nesse caso o alvo passa a ser um modo por janela, com o conteúdo variando dentro dela.
A pergunta seguinte é quanto custa cada transição em números, e existe uma medição de laboratório que respondeu com uma fração desconfortável.
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